Avaliação federal revelou que quase metade das graduações de Medicina no estado tirou nota 2, indicador considerado insuficiente pelo Inep, e está sujeita a punições como restrições no Fies e redução de vagas.
A nova edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgada pelo Ministério da Educação nesta segunda-feira (19), acendeu um alerta importante para a formação médica na Bahia. Dos 26 cursos avaliados no estado, 12 receberam nota 2, conceito considerado insatisfatório pelo Inep e que coloca essas instituições na mira de possíveis sanções federais. O resultado cria um cenário de atenção redobrada para estudantes, famílias e gestores educacionais, que veem no desempenho abaixo do esperado um indicador direto da qualidade do ensino médico oferecido.
O Enamed analisou 351 cursos de Medicina em todo o país, e 30,7% deles não atingiram o nível satisfatório. No levantamento nacional, 24 graduações receberam nota 1(o pior conceito), situação que não ocorreu na Bahia. Ainda assim, quase metade das instituições baianas obteve desempenho insuficiente, revelando uma necessidade urgente de avaliação interna e revisão de práticas pedagógicas.

Desempenho dos Estudantes
Segundo o Inep, mais de 89 mil estudantes participaram da avaliação, sendo 39 mil concluintes. Entre eles, apenas 67% demonstraram proficiência, enquanto cerca de 13 mil alunos não alcançaram o nível mínimo esperado. Para especialistas, esses dados mostram uma preocupação crescente: a formação médica, especialmente em instituições privadas em expansão, precisa atender padrões mais rigorosos para garantir profissionais preparados para a realidade do sistema de saúde.
O MEC confirmou que cursos classificados como insatisfatórios podem sofrer sanções importantes. Entre elas estão restrições ao Fies, corte no acesso a outros programas federais, redução de vagas e até proibição temporária de novas turmas. Em escala nacional, oito cursos já tiveram o ingresso de novos alunos suspenso, a medida mais severa prevista pelo Ministério.
Na Bahia, das 12 Instituições com cursos de desempenhos insatisfatórios, 11 são privadas. Veja a lista:
• Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau) – Barreiras – (Privada)
• Centro Universitário Zarns – Salvador – (Privada)
• Centro Universitário Unime – Lauro de Freitas – (Privada)
• Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia (Unesulbahia) – Eunápolis – (Privada)
• Afya Faculdade de Ciências Médicas – Vitória da Conquista – (Privada)
• Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) – Teixeira de Freitas – (Pública)
• Faculdade Pitágoras de Medicina – Eunápolis – (Privada)
• Faculdade Estácio – Alagoinhas – (Privada)
• Afya Faculdade de Ciências Médicas – Itabuna – (Privada)
• Faculdade AGES de Medicina – Jacobina – (Privada)
• Faculdade Estácio – Juazeiro – (Privada)
• Faculdade AGES de Medicina – Irecê – (Privada)
A presença da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) entre os cursos com desempenho insuficiente chamou atenção, já que instituições públicas federais costumam apresentar conceitos mais altos nas avaliações educacionais.
Em contrapartida, quatro instituições baianas alcançaram nota máxima (5) no Enamed, demonstrando excelência na formação médica:
• Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) – Ilhéus – (Pública)
• Universidade Federal da Bahia (Ufba) – campus Vitória da Conquista – (Pública)
• Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) – Vitória da Conquista – (Pública)
• Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) – Paulo Afonso – (Pública)
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Outras instituições obtiveram desempenho satisfatório com notas 4 e 3, ficando fora da zona de alerta, mas ainda sob acompanhamento contínuo do MEC.
Para estudantes que estão iniciando ou planejando ingressar no curso de Medicina, o resultado do Enamed funciona como um termômetro de qualidade indispensável. Cursos com nota baixa tendem a enfrentar restrições que podem afetar diretamente o cotidiano acadêmico, o acesso a financiamento estudantil e até o reconhecimento de suas atividades.
A divulgação dos resultados reforça a necessidade de que instituições insatisfatórias adotem planos de melhoria, ampliem o investimento em infraestrutura, aprimorem currículos e fortaleçam seus corpos docentes. Para especialistas, esse é o momento ideal para “reavaliar, corrigir e evoluir”, garantindo que a formação médica esteja alinhada às exigências crescentes do sistema de saúde brasileiro.
Com a pressão institucional e o olhar atento da comunidade, espera-se que os cursos avaliados negativamente avancem para oferecer uma formação mais sólida, essencial para a segurança dos pacientes e para o futuro da saúde pública no estado.


















