Disputa pelas duas vagas ao Senado na Bahia expõe impasse entre Rui Costa, Jaques Wagner e Angelo Coronel e pressiona articulação da base governista.
A reafirmação de Rui Costa de que será candidato exclusivamente ao Senado Federal colocou, de vez, a base governista da Bahia diante de um problema que já não pode mais ser empurrado com a barriga. Com a decisão do ex-governador, a equação ficou explícita: três candidatos do mesmo grupo político disputam apenas duas vagas.
Além de Rui Costa, estão no tabuleiro o senador Jaques Wagner, que busca a reeleição, e Angelo Coronel, também senador e igualmente interessado em renovar o mandato. Todos fazem parte da base que governa a Bahia há quase 20 anos, e cada um possui peso político suficiente para exigir espaço na chapa majoritária.
Um impasse de alta voltagem
O cenário vai além de uma disputa eleitoral comum. Trata-se de um conflito interno que envolve partidos aliados, lideranças históricas e o futuro do arranjo político que sustenta o governo estadual.
Rui Costa entra na disputa com o capital político de dois mandatos bem avaliados como governador e o respaldo do governo federal, onde ocupa um ministério estratégico. Jaques Wagner, por sua vez, é um dos pilares do projeto que governa o estado desde 2007, com influência consolidada tanto na Bahia quanto em Brasília. Angelo Coronel representa o PSD, partido-chave da base, com forte presença no interior e papel decisivo nas alianças eleitorais.
Nenhum dos três é um nome descartável.
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A conta simplesmente não fecha
Com apenas duas vagas disponíveis, a manutenção das três candidaturas cria um cenário de desgaste interno e risco real de divisão. Na prática, as opções da base governista se resumem a quatro caminhos:
• recuo negociado, com compensações políticas;
• divisão de palanque, enfraquecendo a unidade;
• decisão imposta pelas cúpulas nacionais dos partidos;
• ou, no pior cenário, um racha que abra espaço para a oposição avançar.
Até agora, nenhuma dessas alternativas foi assumida publicamente.
O recado de Rui Costa
Ao afirmar que sua candidatura é “só ao Senado”, Rui Costa endurece o jogo e deixa claro que não pretende ser alternativa de acomodação política. A declaração pressiona diretamente os demais atores da base e reduz a margem para soluções silenciosas de bastidor.
Quanto mais o tempo passa e as candidaturas se consolidam, mais alto fica o custo político de qualquer desistência.
Tempo curto, decisão inevitável
Embora ainda haja espaço para negociação, o calendário eleitoral corre contra a indefinição. Prolongar esse impasse pode transformar um problema interno em vantagem estratégica para a oposição, algo que a base governista sempre evitou ao longo dos anos.
No fim, a pergunta que domina os bastidores da política baiana é direta e incômoda:
Quem vai ceder para preservar a unidade do grupo?
Com três caciques e apenas duas cadeiras em disputa, a base governista da Bahia está, definitivamente, em uma sinuca de bico.




















