Mesmo com maior volume de recursos do Fundeb, município ainda não garante o piso nacional aos professores, ao contrário de Ibicuí e Nova Canaã
A educação de qualidade é sustentada por um tripé fundamental: infraestrutura física, recursos pedagógicos e a valorização dos profissionais de ensino. No Brasil, e especialmente na Bahia, o debate sobre a melhoria dos indicadores educacionais tem se deslocado da infraestrutura para o capital humano. Especialistas são unânimes ao afirmar que a valorização salarial do professor não é apenas um direito da categoria, mas uma ferramenta estratégica de gestão pública que impacta diretamente no desempenho dos alunos e na redução da evasão escolar.
Nesse contexto, a política do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) surge como o avanço mais significativo das últimas décadas. Previsto na Lei 11.738/2008, o piso garante um patamar mínimo de dignidade para os docentes em todo o território nacional. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) e de organizações como o Todos Pela Educação, municípios que priorizam o pagamento do piso e planos de carreira sólidos atraem profissionais mais qualificados e mantêm o corpo docente motivado, o que se reflete em notas superiores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
O cenário regional: Avanços físicos e o desafio dos recursos humanos
Historicamente, o estado da Bahia tem registrado avanços notáveis na modernização das estruturas físicas escolares. No Sudoeste baiano, os municípios de Ibicuí, Iguaí e Nova Canaã acompanharam essa tendência de maneira relativamente uniforme. Nos últimos anos, as três cidades realizaram reformas, ampliações e construções de novas unidades escolares, garantindo ambientes mais adequados para o aprendizado e para a convivência da comunidade escolar.

Entretanto, se na estrutura física há um equilíbrio, o mesmo não se observa no quesito recursos humanos. Enquanto a “pedra e o cal” das escolas estão presentes nos três municípios, a implementação do piso salarial dos professores revela discrepâncias importantes na região. Atualmente, as administrações municipais de Nova Canaã e Ibicuí já se adequaram à legislação federal, efetuando o pagamento do piso salarial à categoria. Esse movimento é visto como um passo consolidado rumo à excelência educacional nessas cidades.
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Por outro lado, o município de Iguaí apresenta um cenário de atraso nesse quesito. Até o momento, a prefeitura local não implementou o reajuste conforme estabelecido pela política nacional, gerando um descompasso com seus vizinhos e uma crescente insatisfação entre os profissionais da educação básica.
Capacidade administrativa e o fator populacional
O que mais chama a atenção de analistas e da população regional é o fato de Iguaí possuir a maior população entre os três municípios mencionados. De acordo com os dados mais recentes do Censo do IBGE e as estatísticas do Censo Escolar, Iguaí detém uma base maior de habitantes e, consequentemente, um número superior de alunos matriculados na rede municipal de ensino.
A quantidade de alunos é o fator determinante para o repasse de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Como o Fundeb é calculado “por aluno”, tecnicamente, Iguaí possui uma capacidade de arrecadação e um aporte financeiro para a educação proporcionalmente maior do que Ibicuí e Nova Canaã. A ausência do pagamento do piso, portanto, não parece ser uma questão de falta de recursos brutos, mas sim de gestão e prioridade orçamentária.
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Vontade política como motor da mudança
A concretização do direito ao piso salarial está intrinsecamente ligada à vontade política e à capacidade administrativa. Gestores públicos que entendem a educação como investimento, e não como despesa, conseguem reorganizar o quadro de gastos para garantir que a lei seja cumprida. Ibicuí e Nova Canaã demonstraram que, mesmo com orçamentos menores em comparação ao polo vizinho, é possível equilibrar as contas e valorizar o magistério.
O avanço na infraestrutura é louvável, mas escolas modernas sem professores valorizados tornam-se prédios vazios de propósito transformador. A sociedade do Sudoeste baiano, especialmente a comunidade de Iguaí, aguarda que a prefeitura municipal esteja atenta a este movimento de modernização da gestão pública. A valorização salarial é o combustível que permite ao professor focar integralmente na sala de aula, promovendo a cidadania e o desenvolvimento econômico da região.
Espera-se que, diante dos exemplos vizinhos e da responsabilidade com o futuro das novas gerações, o município de Iguaí apresente, em curto prazo, um plano de adequação salarial que coloque seus professores em pé de igualdade com o restante do país, garantindo que a educação iguaiense não fique para trás no quesito que mais importa: o respeito a quem ensina.



















