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Oficial: Vacinação contra a dengue é iniciada em cidades do CE, MG e SP, com dose única

vacina dengue piloto scaled

Maranguape, Nova Lima e Botucatu integram fase piloto do imunizante do Instituto Butantan, considerado um marco na prevenção da doença

A vacinação com dose única contra a dengue começou a ser aplicada nas cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, marcando um novo capítulo no enfrentamento nacional à doença. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan após duas décadas de pesquisas, integra um projeto-piloto que também inclui Botucatu, no interior paulista, onde a aplicação está prevista para começar no próximo domingo (18).

Ao todo, 204,1 mil doses foram destinadas às três localidades: 60,1 mil para Maranguape, 64 mil para Nova Lima e outras 80 mil para Botucatu. A quantidade é suficiente para alcançar toda a população-alvo definida pelo Ministério da Saúde: moradores de 15 a 59 anos. Trata-se de uma etapa decisiva, capaz de oferecer dados concretos sobre o impacto da imunização em larga escala, um ponto crucial diante da escalada de casos de dengue no país.

Segundo especialistas envolvidos na iniciativa, os resultados dessa fase inicial serão monitorados ao longo de um ano, com foco na incidência da doença e na identificação de possíveis efeitos adversos raros. O modelo de acompanhamento é semelhante ao utilizado em Botucatu durante a análise de eficácia da vacina contra a covid-19, o que aumenta a confiança na robustez do estudo.

Se os indicadores forem positivos, o Brasil poderá assistir a uma virada histórica. O Butantan prevê ampliar a capacidade produtiva do imunizante, hoje em 1,3 milhão de doses, em até 30 vezes, um salto que permitiria abastecer todo o território nacional. Antes disso, novos grupos prioritários devem ser contemplados. Com a chegada de mais lotes da vacina Butantan DV, profissionais da atenção primária como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, devem começar a ser imunizados já no início de fevereiro, utilizando cerca de 1,1 milhão de doses remanescentes da etapa inicial.

O avanço também é impulsionado por uma parceria estratégica entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, responsável pela transferência de tecnologia. O plano prevê ampliar gradualmente a vacinação, iniciando pelos cidadãos de 59 anos e avançando até o público de 15 anos.

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Durante o lançamento da campanha em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, detalhou os critérios para a seleção das cidades participantes. Segundo ele, o perfil demográfico e a estrutura das redes locais de saúde foram determinantes para garantir a implementação adequada e a avaliação rigorosa dos resultados. Massuda destacou ainda que esta é a primeira vacina contra dengue aplicada em dose única no mundo, característica que pode acelerar a proteção populacional e reduzir a circulação do vírus.

Os estudos clínicos já realizados apontaram eficácia global de 74%, incluindo uma expressiva redução de 91% nos casos graves. Entre os voluntários vacinados, nenhum precisou de hospitalização devido à doença, um dado que reforça a expectativa de impacto imediato na saúde pública. O desenvolvimento do imunizante envolveu investimento acumulado de R$ 305,5 milhões, incluindo aportes do BNDES para pesquisa, produção e construção da fábrica de vacinas.

A vacinação nas cidades participantes exige documento com foto, e a recomendação é que o cidadão leve também o Cartão SUS. Apesar do avanço científico, especialistas reforçam que a imunização não substitui as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti. A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima destacou que eliminar focos de água parada continua sendo essencial, sobretudo para evitar a proliferação de outras arboviroses.

Com a chegada da dose única do Butantan, cresce a expectativa de que o país esteja mais próximo de um instrumento eficaz e acessível para reduzir a circulação da dengue, um desafio que, ano após ano, pressiona o sistema de saúde e afeta milhões de brasileiros.

Fonte – Agência Brasil

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