Explosão da inteligência artificial sobrecarrega cadeias de suprimentos e pode encarecer eletrônicos e veículos
O avanço acelerado da infraestrutura digital está gerando um novo gargalo na indústria global de semicondutores. Segundo analistas do setor consultados pelo site especializado Tom’s Hardware, os data centers, centros de processamento de dados que sustentam a nuvem e a inteligência artificial, devem abocanhar cerca de 70% de todos os chips de memória fabricados no mundo em 2026.
A projeção acende um alerta para o mercado consumidor: a capacidade global de fabricação já estaria praticamente comprometida até o ano de 2028. Essa concentração massiva de recursos para atender gigantes da tecnologia pode provocar uma escassez de componentes em setores que dependem da mesma base tecnológica.
Impacto nos eletrônicos e na indústria automotiva
Historicamente, o mercado de memórias (como os módulos DRAM e NAND) era equilibrado entre computadores pessoais, smartphones e servidores. No entanto, a prioridade absoluta dada aos data centers ameaça desviar o fluxo de suprimentos, afetando diretamente:
– Eletrônicos de consumo: Notebooks e smartphones podem ter lançamentos limitados ou custos de produção elevados.
– Televisores e Eletrodomésticos: Dispositivos “smart” que utilizam memórias básicas para operação correm o risco de sofrer com a falta de peças.
– Setor Automotivo: Carros modernos, que funcionam como verdadeiros computadores sobre rodas, dependem desses chips para sistemas de segurança, entretenimento e navegação.

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Risco de inflação tecnológica
A escassez não afeta apenas a disponibilidade dos produtos, mas também o bolso do consumidor final. Com a demanda superando a oferta, a tendência é que os preços dos componentes subam, forçando fabricantes de diversos setores a repassarem os custos.
Especialistas indicam que o setor automotivo, que ainda se recupera dos problemas logísticos enfrentados em anos anteriores, pode ser o mais sensível a esse novo desequilíbrio, dado que os contratos de fornecimento para data centers costumam ser mais vultosos e prioritários para os fabricantes de silício.
Planejamento até 2028
O cenário para os próximos quatro anos é de cautela. Com a produção “reservada” pelas grandes empresas de infraestrutura de rede, o mercado global entra em um estado de monitoramento constante.
A situação reforça a necessidade de novos investimentos em fábricas de semicondutores ao redor do mundo, uma vez que a dependência da sociedade por processamento de dados, impulsionada por ferramentas como o Gemini da Google e os novos sistemas da Apple, não dá sinais de desaceleração.


















