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Via Bahia: De quem é a culpa?

A Via Bahia encerrou seus trabalhos em 2025 após arrecadar mais de R$ 3,8 bilhões em pedágios, descumprir 80% das obrigações contratuais e ainda receberá R$ 892 milhões de indenização da União. Uma conta que sobra para o contribuinte.

A extinção da concessão da Via Bahia expôs um dos maiores casos de descumprimento contratual na infraestrutura brasileira. Durante 16 anos (2009-2025), a concessionária controlou 680 km das estratégicas BR-324 e BR-116, cobrando pedágios em sete praças e acumulando uma receita estimada superior a R$ 3,8 bilhões (valor total estimado até 2023).

A Metamorfose Societária Suspeita

O controle da Via Bahia mudou de mãos em movimentações financeiras questionáveis. Inicialmente do Grupo Isolux Corsán, passou para a ROADIS Transportation em 2015 – empresa criada pelo fundo de pensão canadense PSP Investments especificamente para administrar esses ativos. Em 2020, a ROADIS assumiu 100% do capital, comprando as ações restantes do Grupo ENGEVIX.

O Rombo de R$ 7 Bilhões

Segundo dados consolidados, o custo total da Via Bahia ultrapassou R$ 7 bilhões quando somados pedágios, investimentos não realizados e a polêmica indenização. A concessionária descumpriu sistematicamente suas principais obrigações: deixou de duplicar 430 km de rodovias e negligenciou obras essenciais de recuperação e manutenção.

O mais grave: obteve decisões judiciais que paralisaram investimentos obrigatórios, blindando-se de sanções da ANTT e comprometendo a fiscalização.

Cidades Reféns do Descaso

Cidades como Vitória da Conquista, Jequié, Poções e Feira de Santana – importantes centros econômicos baianos – permaneceram conectadas por rodovias deterioradas, impactando diretamente o desenvolvimento regional e a segurança dos usuários.

A Conta que Sobra

A situação torna-se ainda mais revoltante: após anos de arrecadação bilionária sem contrapartida adequada, a Via Bahia receberá R$ 892 milhões de indenização federal. Uma dupla penalização ao erário público.

A questão central permanece: quem são os verdadeiros responsáveis por essa engenharia financeira? Quais autoridades fiscalizadoras falharam? E principalmente: por que o contribuinte brasileiro paga essa conta?

De quem é a culpa?

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